terça-feira, 27 de outubro de 2009

da cor da água

tenho vontade de escrever, não sei porquê nem sobre o quê. quer dizer, até sei... vai sempre tudo dar a ti, porque de tudo o que faço, há sempre alguma coisa que me lembre de ti, porque sempre que vejo ou ouço alguma coisa, há uma palavra que me soa sempre ao teu nome. sei lá o que isto é. sei lá o que sinto. só sei que a única coisa que queria ter agora eras tu, à minha frente, a olhar para mim e a dizer que gostas imenso de mim, como ainda à umas semanas o disseste. lembras-te de me estar sempre a pedir para dizer que gostava de ti? e eu dizia. mas agora também sinto a falta de o ouvir. onde estás quando preciso de ti? nunca sabemos em quem podemos confiar, nem quem é que realmente nunca nos irá abandonar, nunca sabemos ao certo quem é aquele/aquela que ao olharmos podemos dizer «ele? nunca nos vamos separar, tenho a certeza». confiamos demais nas pessoas para no final pensarmos «possa, ele não era assim tão importante e agora sabe demais... ainda vai contar a toda a gente» e passamos a desconfiar das pessoas, e é esse o grande problema. mas porque é que nos acontece sempre tudo com a pessoa errada? incrível. mas também, pensando de outra maneira, se não fosse assim perderia toda a piada... , mas não era preciso tanto. viver no país das maravilhas é bom, mas também é cansativo. daqui a nada faço anos e tudo o que eu queria era a tua amizade de volta. porque há pessoas não merecedoras que a têm, e isso deixa-me fora de mim. qual é o mal de ter mais uma amiga? aliás, de ter de novo a amizade de uma grande amiga, como tu já o disseste. só quero tudo aquilo a que tenho direito, pelo mérito e pela dedicação. não vou deixar que te esqueças que existo novamente, não vou desistir, porque essa palavra não existe no meu vocabulário. eu nunca desisto, apenas deixo para trás aquilo que não tenho mais condições de sofrer por mais. eu sei que também não era assim que querias, mas foi assim que fizeste, por motivos de força maior, infelizmente. que de maior não tem nada. pois foi esse o motivo da nossa primeira «separação», e agora também da segunda. e pergunto-te, achas correcto? à primeira todos caem, à segunda cai quem quer. e tu quiseste...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

nh

"Pega no telefone e liga-lhe, não tens nada a perder. Diz-lhe que tens saudades dele, que ninguém te faz tão feliz, que os teus dias são secos, frios e áridos, como um deserto imenso, sem oásis nem miragens, sempre que não estão juntos. Pega no telefone e liga-lhe. Se ele não atender, deixa-lhe uma mensagem. Ou então escreve-lhe uma mensagem a dizer que queres estar com ele. Não te alongues nem elabores, os homens nunca percebem o que queres deixar cair nas entrelinhas. Tens de ser clara, directa, incisiva. E não podes ter medo, porque o medo é o maior inimigo do amor. Cada vez que deixares o medo entrar-te nas tuas veias, ele vai gelar-te o sangue e paralisar-te os nervos, ficas transformada numa estátua de sal e morres por dentro.
A vida é uma incógnita, hoje estás aqui, amanhã podes ficar doente, ou cair-te um piano em cima quando fores a andar na rua. Ainda há pessoas que atiram pianos pela janela, sabias? Nunca se sabe como será o dia de amanhã, por isso não percas tempo: pega no telefone e liga-lhe. Tenho a certeza que ele te vai ouvir, tenho a certeza que ele te vai ajudar, tenho a certeza que ele, à sua maneira - e é tão estranha a forma como os homens gostam de nós - ainda gosta de ti. Mesmo que já não te ame, ainda gosta de ti, como tu vais aprender a gostar dele, quando a vida te obrigar a desistir deste amor. Ele está longe, mas olha por ti por entre memórias, presentes e flores. À noite, entre sonhos alterados pelo álcool, tu apareces-lhe na cama e ele volta a sentir o cheiro da tua pele e volta a amar-te com todas as suas forças. Ainda que não acredites, tu viverás para sempre nele, tal como ele vive em ti, na memória das tuas células, num passado que pode ser o teu escudo, mesmo que não seja o teu futuro.
Pega no telefone e liga-lhe. Fala com ele de coração aberto, diz-lhe que o queres ver, chora se for preciso, pede-lhe que te diga se sim ou se não. Se for preciso, por mais que te custe, pede-lhe para te escrever a palavra NÃO. Pede-lhe uma resposta para o teu coração. Mais vale saberes que acabou tudo do que viveres com as laranjas todas no ar, qual malabarista exausto, sem saberes nem como nem quando elas vão cair. Mais vale chorar a tristeza de um amor perdido do que sonhar com um oásis que se transformou numa miragem.
Pega no telefone e liga-lhe. Liga as vezes que forem precisas até conseguires uma resposta, a paz de uma certeza, mesmo que essa certeza não seja a que desejavas ouvir. Mas não fiques quieta, à espera que a vida te traga respostas. A vida é tua, tens de ser tu a vivê-la, não podes deixar que ela passe por ti, tu é que passas por ela. "

sábado, 10 de outubro de 2009

e sabes? és uma parte de mim que nunca quero partilhar.

estava cansada principalmente por não ter ninguém a quem contar todas as situações em que me meto, sentia a tua falta, e sabia que te fazia falta. não estava na hora de voltares?

há sempre mais um amanhã e há sempre mais uma oportunidade para fazermos bem as coisas. e nós? simplesmente aproveitámos a nossa. não voltaste, porque no fundo nunca chegaste a ir. e estás aqui, onde sempre estiveste desde que começamos a falar. não me lembro quais foram exactamente as primeiras palavras, só sei que desde então estás aqui. e és, talvez, das pessoas que melhor me entende. sabes do que falo mesmo quando eu não digo quase nada.
alimentamos um sentimento que não queremos perceber porque isso estragaria toda a piada. temos uma necessidade de nos mantermos sempre perto um do outro. e arranjas sempre tempo de me mandar uma mensagem. enches-me o telemóvel com mensagens que são pedaços de ti, pedaços de nós. nunca ficas sem resposta. não te sei ignorar, nem quero. o mal é que não devemos nada um ao outro. não te posso exigir atenção, nem te pedir que estejas sempre pronto para me responder. e dizer «estou sempre aqui para ti» é uma quase verdade que nos deixa bem. e todas as noites eu fico acordada até o meu telemóvel acender a luz e eu ler uma mensagem tua. diz sempre o mesmo, o suficiente para poder dormir sossegada:

«- amo-te.
- eu também.»

(...)

não sei se a nossa amizade para ti é o mesmo que para mim, só sei que agora, nunca mais te largo.