estava cansada principalmente por não ter ninguém a quem contar todas as situações em que me meto, sentia a tua falta, e sabia que te fazia falta. não estava na hora de voltares?
há sempre mais um amanhã e há sempre mais uma oportunidade para fazermos bem as coisas. e nós? simplesmente aproveitámos a nossa. não voltaste, porque no fundo nunca chegaste a ir. e estás aqui, onde sempre estiveste desde que começamos a falar. não me lembro quais foram exactamente as primeiras palavras, só sei que desde então estás aqui. e és, talvez, das pessoas que melhor me entende. sabes do que falo mesmo quando eu não digo quase nada.
alimentamos um sentimento que não queremos perceber porque isso estragaria toda a piada. temos uma necessidade de nos mantermos sempre perto um do outro. e arranjas sempre tempo de me mandar uma mensagem. enches-me o telemóvel com mensagens que são pedaços de ti, pedaços de nós. nunca ficas sem resposta. não te sei ignorar, nem quero. o mal é que não devemos nada um ao outro. não te posso exigir atenção, nem te pedir que estejas sempre pronto para me responder. e dizer «estou sempre aqui para ti» é uma quase verdade que nos deixa bem. e todas as noites eu fico acordada até o meu telemóvel acender a luz e eu ler uma mensagem tua. diz sempre o mesmo, o suficiente para poder dormir sossegada:
«- amo-te.
- eu também.»
(...)
não sei se a nossa amizade para ti é o mesmo que para mim, só sei que agora, nunca mais te largo.
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